Legal6 min de leitura

Certificado Energético do Edifício vs. da Fração: Diferenças e Obrigações

Diferenças entre certificado energético da fração e do edifício em Portugal, quando é obrigatório, como melhorar a classificação e o papel do condomínio.

FRAGES

Certificado energético: da fração ao edifício

Em Portugal, o Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE) exige que os imóveis tenham um certificado energético em determinadas situações. Mas há uma distinção importante: o certificado pode ser da fração individual ou do edifício como um todo.

Certificado energético da fração (obrigatório para compra e venda)

O certificado energético da fração é obrigatório em Portugal para:

  • Venda de imóvel: o vendedor deve fornecer o certificado ao comprador antes da escritura
  • Arrendamento: o senhorio deve fornecer o certificado ao inquilino antes de assinar o contrato

Quem emite

Técnico perito qualificado e inscrito na ADENE (Agência para a Energia).

O que avalia

  • Eficiência do envelope construtivo da fração (paredes, janelas, cobertura)
  • Sistemas de climatização e de águas quentes sanitárias instalados
  • Iluminação (para frações de serviços)

Classificação

De A+ (mais eficiente) a F (menos eficiente).

Validade

10 anos (renovação obrigatória para novas transações após esse prazo).

Certificado energético do edifício

Para além do certificado da fração, o edifício como um todo pode (e em alguns casos deve) ter o seu próprio certificado:

Quando é obrigatório para o edifício

  • Edifícios de serviços (escritórios, comércio) com mais de 1000 m² de área útil
  • Edifícios sujeitos a grandes obras de renovação

Para edifícios residenciais

Não é obrigatório ter certificado do edifício completo — apenas das frações individualmente quando há transações. Mas pode ser útil para:

  • Candidatura a apoios de eficiência energética (é frequentemente exigido)
  • Demonstrar o desempenho global do edifício a potenciais compradores

Como o condomínio pode melhorar a classificação energética

A classificação energética das frações é influenciada não apenas pelas escolhas individuais, mas também pelo edifício em geral:

Medidas nas partes comuns que melhoram a classificação

  • Capoto (isolamento térmico exterior): a medida com maior impacto — pode elevar a classificação em 1-2 categorias
  • Substituição de caixilharia nas partes comuns ou em fachada
  • Iluminação eficiente nas partes comuns (não afeta diretamente a classificação da fração mas reduz custos)
  • Instalação de painéis solares para aquecimento de águas sanitárias nas partes comuns

Por que o condomínio deve preocupar-se com a classificação energética das frações

Uma fração com melhor classificação energética:

  • Vale mais no mercado (diferencial de preço de 5-15%)
  • Tem custos de exploração mais baixos para o proprietário/inquilino
  • Pode ter acesso a crédito habitação com condições mais favoráveis (crédito verde)

Apoios para melhorar a eficiência energética

PRR (Plano de Recuperação e Resiliência)

O PRR inclui programas de apoio à eficiência energética em edifícios de habitação coletiva. O condomínio pode candidatar-se a fundos para obras de isolamento, substituição de janelas ou instalação de sistemas solares.

Vale de Eficiência

Programa que apoia famílias e condomínios na melhoria da eficiência energética. Os valores e condições mudam — consulte a ADENE para programas em vigor.

O certificado energético e a venda de frações

Quando um condómino vende a sua fração:

  • É da responsabilidade do vendedor obter o certificado energético antes da escritura
  • O certificado é emitido pela fração, não dependendo do condomínio
  • O administrador não tem responsabilidade neste processo individual

Mas o administrador pode ajudar: fornecer informação sobre as obras realizadas nas partes comuns que possam ter melhorado o desempenho energético do edifício (capoto, renovação de janelas comuns, etc.) — esta informação pode ser relevante para o perito.

Conclusão

O certificado energético é uma realidade com que todos os condóminos que vendem ou arrendam as suas frações se deparam. O condomínio pode contribuir para melhorar as classificações individuais através de obras nas partes comuns — o que valoriza o imóvel de todos e, com os apoios disponíveis, pode ser financeiramente vantajoso.

Artigos relacionados

Simplifica a gestão do teu condomínio

Software português para gerir contas, assembleias, ocorrências e comunicações num só lugar.

Experimentar gratuitamente