A eletricidade das partes comuns: uma despesa controlável
A fatura de eletricidade das partes comuns é, em muitos condomínios, uma das maiores despesas anuais — a seguir ao seguro e à limpeza. E, ao contrário de muitas outras despesas, é uma que pode ser significativamente reduzida com medidas práticas e acessíveis.
1. Audite o que está a consumir
Antes de poupar, é preciso perceber onde se gasta. Os principais consumidores de eletricidade nas partes comuns são:
- Elevador(es): 30-60% do consumo total em muitos edifícios
- Iluminação de corredores, escadas, garagem, exterior: 20-40%
- Bombas de água (para pressurização ou irrigação): 10-20%
- Portão automático, intercomunicadores: 5-10%
- Outros (tomadas comuns, equipamentos): 5-10%
Peça ao seu fornecedor de eletricidade um histórico de consumos mensal dos últimos 12 meses — permite identificar sazonalidade e tendências.
2. Reveja a potência contratada
Muitos condomínios têm potência contratada superior ao que realmente precisam — e pagam a mais na tarifa de potência (parte fixa da fatura).
Como verificar:
- Veja a fatura: qual a potência contratada (kVA)?
- Consulte um eletricista para verificar se a potência está ajustada às necessidades reais
- Reduza a potência contratada se possível (uma redução de 6,9 kVA para 4,6 kVA pode poupar 20-30€/mês)
Atenção: não reduza a potência sem verificação técnica — se ficar insuficiente, os disjuntores disparam com frequência.
3. Mude para tarifa bi-horária ou tri-horária
Se o condomínio tem elevador, as horas de funcionamento distribuem-se ao longo do dia. Com uma tarifa bi-horária:
- Hora de ponta (mais cara): 08h-22h em dias úteis
- Hora de vazio (mais barata): 22h-08h e fins de semana
Para condomínios onde o elevador é muito usado durante o dia, a tarifa simples pode ser melhor. Para consumos mais equilibrados, a bi-horária costuma ser vantajosa.
Como saber: peça uma simulação ao seu fornecedor de eletricidade com base no seu perfil de consumo.
4. Substitua a iluminação por LED com sensores
Como referido no artigo sobre sustentabilidade, esta é a medida com melhor retorno:
- LED consome 70-80% menos do que equivalente incandescente
- Com sensor de presença: a luz só está acesa quando há alguém — redução adicional de 50-80% do tempo de funcionamento
Poupança típica num edifício de 20 frações: 50-150€/mês na fatura de eletricidade da iluminação.
Investimento: 500-2.000€ para todo o edifício. Retorno: 6-18 meses.
5. Otimize o elevador
O elevador é frequentemente o maior consumidor. Medidas de otimização:
- Modernização do sistema de tração: elevadores com motor de velocidade variável consomem 30-50% menos do que os antigos
- Modo stand-by: elevadores modernos têm modo de baixo consumo quando não estão a ser usados
- Iluminação LED na cabina: substituição das lâmpadas da cabina por LEDs
Se o elevador tem mais de 15 anos, a modernização (20.000-50.000€) pode ser rentabilizada pela poupança energética em 10-15 anos — além de melhorar o conforto e a segurança.
6. Instale painéis solares
Para condomínios com cobertura disponível, a instalação de painéis fotovoltaicos para alimentar as partes comuns pode eliminar uma grande parte da fatura:
- Dimensionamento típico para partes comuns: 3-10 kWp
- Custo de instalação: 3.000-10.000€
- Poupança anual: 500-1.500€
- Retorno: 5-8 anos
Com autoconsumo coletivo, a energia excedente pode ser partilhada pelas frações.
7. Negocie com o fornecedor
Os preços da eletricidade são negociáveis no mercado liberalizado. Compare tarifas em sites de comparação (ex: ComparaJá) e negociei diretamente com os fornecedores:
- Mercado liberalizado oferece frequentemente tarifas mais baixas do que o regulado para grandes consumidores
- Um condomínio com elevador consome o suficiente para ter poder de negociação
8. Monitorize os consumos
Instalar um medidor de energia inteligente (smart meter) nas partes comuns permite:
- Ver o consumo em tempo real
- Identificar anomalias (equipamento a consumir fora do normal)
- Comparar mês a mês
Custo: 100-500€. Muitas distribuidoras instalam gratuitamente.
Gestão de energia no FRAGES
O módulo Financeiro do FRAGES permite registar e comparar faturas de eletricidade ao longo do tempo — facilitando a identificação de tendências e o impacto das medidas implementadas.
Conclusão
Reduzir a fatura de eletricidade das partes comuns é um dos investimentos com melhor retorno que um administrador pode propor em assembleia. Comece pelas medidas de custo zero (rever potência e tarifa), passe para as de baixo custo (LED + sensores), e planei as de maior investimento (solar, modernização do elevador) no plano plurianual de obras.