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Conta Corrente de Condómino: Como Funciona e Como Gerir Devedores

Como funciona a conta corrente de cada condómino, como registar quotas, juros e pagamentos, e como usar estes registos para cobrar dívidas legalmente em Portugal.

FRAGES

O que é a conta corrente de um condómino

A conta corrente de um condómino é o registo individualizado de todas as obrigações financeiras de cada fração para com o condomínio — quotas, encargos especiais, multas aprovadas em assembleia — e dos respetivos pagamentos.

É o documento que permite saber, a qualquer momento, quanto cada condómino deve ou tem a crédito.

O que deve constar na conta corrente

Débitos (valores que o condómino deve ao condomínio)

  • Quotas ordinárias: valor mensal aprovado em assembleia
  • Quotas extraordinárias: aprovadas em assembleia para obras ou situações específicas
  • Juros de mora: aplicados sobre quotas em atraso (taxa legal ou taxa estipulada no regulamento)
  • Multas: aprovadas em assembleia por violação do regulamento
  • Custas processuais: em caso de ação judicial

Créditos (valores pagos pelo condómino)

  • Pagamentos de quotas
  • Pagamentos parciais (se aceites)
  • Acertos de saldo (devoluções)

Juros de mora: como calcular

O regulamento do condomínio pode estipular a taxa de juro aplicável a pagamentos em atraso. Se não estipular, aplica-se a taxa legal de juro moratório (taxa de referência do BCE + spread definido por lei).

Cálculo básico: valor em dívida × taxa anual × (dias de atraso / 365)

Exemplo: 300€ em atraso há 90 dias, taxa anual de 4%: Juro = 300 × 0,04 × (90/365) = 2,96€

Como registar na prática

Registo cronológico

Cada lançamento deve ter:

  • Data
  • Descrição (ex: "Quota ordinária Março 2026")
  • Valor a débito ou crédito
  • Saldo resultante

Saldo inicial

No início de cada ano, o saldo da conta corrente de cada condómino deve ser o saldo final do ano anterior (incluindo dívidas em atraso).

Saldo devedor vs. credor

  • Saldo devedor: o condómino deve dinheiro ao condomínio
  • Saldo credor: o condómino pagou mais do que devia (raro, mas acontece em acertos de conta)

Como agir perante um devedor

Fase 1: Aviso amigável (até 30 dias de atraso)

  • Email ou carta simples informando o valor em dívida
  • Tom respeitoso — pode ser esquecimento ou dificuldade temporária

Fase 2: Notificação formal (1-3 meses de atraso)

  • Carta registada com aviso de receção
  • Valor em dívida, juros calculados, prazo para pagamento
  • Aviso de que o incumprimento resultará em ação judicial

Fase 3: Acordo de pagamento (opcional)

Para dívidas significativas, pode ser vantajoso propor um plano de pagamento a prestações. Este acordo deve ser formalizado por escrito, com:

  • Montante total em dívida
  • Número e valor das prestações
  • Data de cada prestação
  • Consequências do incumprimento

Fase 4: Ação judicial

Se o devedor não pagar nem chegar a acordo:

Injunção: processo simplificado para dívidas até 15.000€, sem necessidade de advogado. Apresentado no Balcão Nacional de Injunções.

Ação judicial comum: para valores superiores ou se o devedor deduzir oposição à injunção. Exige advogado.

Execução: após obter título executivo (sentença ou injunção não contestada), o condomínio pode penhorar bens do devedor, incluindo a própria fração.

A dívida acompanha a fração, não a pessoa

Este é um princípio legal fundamental: as dívidas de quotas de condomínio constituem um encargo real sobre a fração. Isto significa que, quando a fração é vendida, o comprador pode ser responsabilizado pelas dívidas anteriores do vendedor — até ao limite de 2 anos de quotas.

Implicação prática: o administrador deve fornecer, a pedido, uma declaração de dívidas da fração para efeitos de compra e venda.

Conta corrente no FRAGES

O módulo Financeiro do FRAGES inclui gestão de contas correntes por condómino:

  • Lançamento automático de quotas mensais
  • Registo de pagamentos
  • Cálculo automático de juros de mora
  • Geração de extrato de conta para envio ao condómino
  • Lista de morosos com saldo devedor atualizado

Conclusão

A conta corrente é a espinha dorsal da gestão financeira do condomínio. Mantida atualizada, permite saber exatamente quem deve e quanto — e suporta juridicamente qualquer ação de cobrança. Um registo rigoroso desde o primeiro dia é o melhor investimento na gestão financeira do condomínio.

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